o "30 e tal"

BOLSA CRIAR LUSOFONIA CNC
"Hugo Miguel Coelho – candidato português – com o projecto “Trinta e tal no campo da morte lenta”, a desenvolver entre Cabo-Verde e Portugal (...) bolseiro seleccionado na área de Criação/ Investigação literária, edição 2008/2009 do concurso Criar Lusofonia do Cento Nacional de Cultura, com o apoio da Direcção Geral do Livro e Bibliotecas."
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(...) essa existência penosa e negra que ultrapassa a posição política, percorrendo os limiares da deterioração humana e penetrando no imaginário íntimo desses presos da antiga Colónia Penal (...)
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Centro Nacional de Cultura

A CARTA DE UM PRISIONEIRO



-->Sessão de contos, com histórias referentes ao universo do campo do Tarrafal. Depois da sessão, far-se-á um enquadramento às memórias deste universo particular (um símbolo da opressão e do ataque à liberdade individual e colectiva, para ajudar a reflectir sobre a (in)justiça das prisões ideológicas), integrado na história de Cabo Verde e de Portugal.
A Drª Nélida Brito (docente na Universidade de Cabo Verde e autora do livro "Tarrafal, na memória dos prisioneiros") fará a gentileza de ajudar a criar o mote entre os contos e o seu enquadramento na realidade sócio-política da época, fazendo uma curta conferência sobre o tema.

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Escola Secundária Pedro Gomes, Achada de Santo António, Praia
- 24 de Outubro


GRADES

O projecto "30 e tal no Campo da Morte Lenta" desenhou, a convite do "Abriaspas" (uma organização Bianda e Fundação Amilcar Cabral), um programa de conversas, explorações e intervenções artísticas subordinado ao tema da Prisão do Tarrafal, a sua memória e o modo como esta é recebida e tratada actualmente, em que o sub-tema transversal era "O lugar do prisioneiro ideológico, e da prisão, na relação com a criação artística".
O programa foi o seguinte:


5/10 – 18h30
Instalação-jam/ site specific sob o tema genérico “O Campo Tarrafal”, com artistas visuais/plásticos, músicos e todos que queiram participar.
12/10 – 18h30
Video (de curta-duração) inicial seguido de conversa temática: o lugar do prisioneiro ideológico, e da prisão, na relação com a criação artistica.
19/10 – 18h30
Acção performativa sob o tema genérico “o Campo do Chão Bom”.
26/10 – 18h30
Video (de curta-duração) inicial seguido de conversa temática: o tarrafal e o seu impacto actualmente, na relação com outros campos (ontem e hoje)



Material das sessões:

5 outubro, 18.30
instalação/ site specific sob o tema genérico “O Campo Tarrafal” 
A sessão contou com uma instalação, a partir de elementos plásticos de Soizic Larcher-Nouviale (que estendeu a sua intervenção a uma acção performativa), dos sons captados no campo do Tarrafal por César Schofield Cardoso e pelas imagens vídeo de João Paradela, também sobre a prisão. Simultaneamente a uma conversa relativa a este universo, todos os elementos eram experimentados, individual ou colectivamente, de forma a servirem de base para a 2ª acção performativa no dia 19.

© César Schafield Cardoso


12 outubro, 18.30
video (de curta-duração) inicial seguido de conversa temática: o lugar do prisioneiro ideológico, e da prisão, na relação com a criação artistica. 
Foi uma conversa que deambulou pelas várias possibilidades de abordagem à criação artística, deste tema. Entre as discussões tidas, destaca-se uma, a da problemática levantada por um dos presentes: ao tratar um tema tão sensível como é o de um campo de concentração (de um ponto de vista criativo), estando ainda a memória recente de Cabo Verde muito fresca (havendo a possibilidade de ainda existirem resquícios traumáticos de visões algo retrógradas típicas do século passado - e anterior - como são as relações "colonizador - indigena" e "preto - branco"), não se poderá ela própria tornar um problema impeditivo da criação?
vídeos: 1 2 3 4

19 outubro, 18.30
acção performativa sob o tema genérico “o Campo do Chão Bom”.



26 outubro, 18.30
video (de curta-duração) inicial seguido de conversa temática: o tarrafal e o seu impacto actualmente, na relação com outros campos (ontem e hoje)
Agora que chega ao final este trajecto dentro de outro maior, há que agradecer o continuado acompanhamento e a apaixonada participação do Dr. Carlos Reis, bem como à Fundação Amílcar Cabral (e todos os seus colaboradores) no apoio a esta iniciativa, que terá certamente a sua devida continuação, encaixando em si aqueles que poderão efectivamente engrandecer o projecto e a memória do Campo, do espaço lusófono e da abertura de espírito (politico, filosófico, activo, humano). Ao contrário dessa triste memória dos que foram perseguidos por "pensar", importa hoje dar as mãos àqueles que pensam para agir. Que usam o pensamento para melhorar a acção, e não se ficam pelo oco pensamento (amigo de infância do controle ditatorial), que não leva a lado algum, excepto à apatia e à inércia. Nesta época inundada de lixo comunicacional, importa ser objectivo e selectivo. Tal como Saramago relembrou, recentemente, referindo-se à problemática dos fascismos disfarçados, nos dias que correm, interessa, sim, desmistificar os telhados de vidro e os lobos vestidos de cordeiro. E como é o lugar do prisioneiro ideológico que interessa a este projecto - e além de nos ficarmos pela (urgente) necessidade da preservação da sua memória - podemos ir um pouco mais além, acusando as faltas de liberdade que nos são sorrateiramente arremessadas por opressivas e moldáveis ditaduras do ego e da sede de poder.
Como remate, aqui ficam alguns pontos de partida para as reflexões (ob)tidas neste percurso.
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experimento #4


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Chuvas em Mindelo, assistidas do conforto de um café (18 Setembro 2009)

experimento #3


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Cidade Velha e o bode (3 Setembro 2009)

experimento #2


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na estrada, entre Praia e Cidade Velha e São Francisco, 3 de Setembro de 2009

experimento #1


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Praia/ Cabo Verde, 21 de Agosto de 2009




o pão em exploração

No Festival Noites na Nora (Serpa), o "30 e tal no Campo da Morte Lenta" desenvolveu uma residência de criação, tendo em vista explorar o elemento vídeo e as possibilidades performativas do pão, fiel amigo do prisioneiro, sob o alicerce das temáticas da perseguição e prisão ideológicas.
Foram criados, apenas com pão, vários bonecos e adereços, para criar um pequeno vídeo em stopmotion que remetesse para o universo dos Campos de Concentração. Além de algumas experiências, o resultado foi a curta-metragem "Pão", que foi projectada no 22 de Julho de 2009, em tela gigante e com sonorização feita em tempo real. Esta a
presentação do resultado da residência artística, foi acompanhada de uma conversa com o público presente.










o lugar do prisioneiro, o lugar do performer


i-->ntegrado no evento “Portugal e a Memória” (entre 27 de Abril e 2 de Maio, em Torres Vedras) uma produção do Teatro Cine de Torres Vedras, organizado por Teatro Cine de Torres Vedras e Cooperativa de Comunicação e Cultura.
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-->o dia 2 de Maio, após a sessão final aberta a público, promoveu-se um curto espaço de conversa sobre o lugar do prisioneiro de guerra, centrado no caso concreto da Guerra do Ultramar. -->
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A partir do texto “Na Colónia Penal” de Franz Kafka, trabalhou-se sobre o tema da (in)justiça das prisões ideológicas, centrados no exemplo português da prisão do Tarrafal - nomeadamente no contexto específico da sua utilização durante a Guerra Colonial. Este workshop está integrado, também, na iniciativa “trinta e tal no campo da morte lenta”, a ser desenvolvido entre Cabo Verde e Portugal
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Objectivo: o trabalho físico dos performers.





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